terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Moldura de Inspiração.

Estou cansado de me sentir tão inseguro, de ser minha própria parasitose de energia crua, por isso tenho alucinado com freqüência. Da janela fico horas observando os carros indo e vindo, imagino vidas inteiras e suas histórias, acendo um cigarro e tomo meu remédio para o estômago. Está tudo tranqüilo. Até as emoções recalcadas resolveram brilhar e, inexplicavelmente as linhas do meu texto se alongam numa evolução notável.

Desisti de morrer, suicidas não vão para o céu. Passivo-Agressivo. Tenho é que agradecer todas as minhas dores por me apresentarem a arte e meus ídolos fracassados por me mostrarem o caminho, mesmo que através de seus erros. E, é belo o entardecer daqui.

Ouvindo Dolores O'Riordan, fica mais belo ainda. Admito, estou “inlóvis”. A “ela” quero amar totalmente e de forma incondicional, “ela” sabe que terá meus olhares de criança em todas as manhãs de sábado e, até nas demais, quando o dia é apenas coadjuvante.

FAZER AMOR EM CATARSE! TROCAR DE COR! NÓS TRANSFORMAR EM ANIMAIS VOLÁTEIS!

Eis, o poder do amor: as palavras jorram torrencialmente, depois da lambida que com calma “ela” deu no meu coração, calejando a língua com todo o meu sangue de menino forte e vermelho escuro. Amor ilumine-me, por favor, não quero me apagar assim! Não vou!

Da janela olho o céu, o barulho dos carros e das pessoas se apagou. Saúdo a lua, o mundo da lua. Estou tão próximo “dela” agora, as estrelas estão mais brilhantes e o amor em trabalho de parto. É sereno o anoitecer daqui: vejo a lua rolar como nós em terras novas, em breve. Da janela, soul a moldura da minha inspiração, um pedaço de chocolate com chantili, recheado de boas intenções brancas. Nada mais pode nos separar agora, nem mesmo o meu escapismo depressivo, nem o nosso antigo e desbotado medo de nos entregar e nem o ego derrotado do meu espírito. Vejo isso com uma simplicidade tremenda, da janela.

O vento chegou a minha face, meus dedos tocam lentamente o intocável, “ela” está aqui e foi trazida pela lua cheia. Sim, a mesma que torna as estrelas mais brilhantes.

Da janela, liberdade de contato.
Lua fértil, amor viril.

4 comentários:

  1. q bons a ventos a tragam... isso me lembrou uma música dos Paralamas "tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua, merecia a visita não de militares, mas de bailarinos e de vc e eu..."

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  2. belo texto léo,
    a cada dia soltando o braço!

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  3. Gostei bastante da poesia que tem nele. Frases muito instigantes para quem quer pensar. Bjus.

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  4. lindo,muito lindo Léo.
    bjs

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